BLOGGER TEMPLATES - TWITTER BACKGROUNDS

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

pela metade .

Mesmo gostando de você assim, do jeito que eu gosto. Mesmo por eu ainda me sentir confortável só de ouvir seu nome. Eu prefiro não estar contig agora. Não que eu prefira, é que me faltam escolhas. É melhor não te ter mais a te ter pelas metades. Sabe aquele negócio que a gente não quer mais as migalhas depois que tem o todo? Nós já fomos o todo, já pudemos andar de mãos dadas e tivemos o privilégio de não ter que esconder de ninguém  como era bonito o que a gente sentia.  Eu prefiro não te ver a ter que te encontrar às escondidas por aí. Sem saber quando nem onde. O incerto me assuta, sabe. É me pedir demais. Você  bem sabe que dispensa para mim só o que te sobra, o tempo livre, o mau humor depois de um dia de trabalho. Enquanto eu, sempre inteira, ouço teus problemas e procuro estar atenta  a qualquer chamado seu, mesmo em dias péssimos. Você nem sequer percebe que eu não estou bem. Pra você está tudo sempre tão bonito, não é?  Você sempre me encontra cheia de sorrisos e com paciência de sobra para compreender sua distância. Não digo que não goste de mim. Eu sei que gosta, de verdade. Só que deixou o tempo passar e aprendeu a encher sua vida com outras coisas, outras pessoas, outras metades que não são a minha. E esse viver eterno de saudade que não cessa nem depois dos nossos encontros? Eu me sinto sozinha, mesmo estando juntos. Não do meu jeito, mas juntos, enfim.  Você me dz, nas nossas ligações de meio de semana, que não sente minha falta e eu finjo não ligar. Eu conto os dias e torço para que a semana acabe logo, na realidade. Eu sei que vou querer desistir disso tudo e vou ter que tirar o telefone do gancho só para não poder te ligar daqui dez…cinco minutos.  Vou arranjar quantos compromissos forem possíveis em um único dia para não sobrar tempo  de me sentir culpada por saber que posso estar errada. Não quero pensar que posso estar jogando tudo o que mais gosto, os melhores dias, assim, pro alto, como se não significassem nada para mim. Só que é exatamente o contário. Por significarem tanto é que prefiro lembrar só de como éramos no começo. Mas acho que isso você nunca vai entender. Eu também não entenderia. É até melhor, porque eu seique essa nossa conversa é definitiva. Você vai jogar toda a culpa do adeus em mim e vai relembrar todos os meus erros. E eu vou abaixar minha cabeça pra tentar me convencer que  realmente eu quem fiz tudo errado. É só pra não ter que desfazer a idéia de como você me fez tão bem um dia. Como eu me sentia importante quando conseguia vencer sua barreira e ganhava um abraço seu. Mas se um dia  também se cansar do pouco e sentir saudade, por favor, me liga. Eu vou estar aqui, inteira mais uma vez, esperando que você diga que ainda me ama.   )

maria cláudia .

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

carta .

(   Ela liga o chuveiro e fica observando a água gelada cair lentamente. Tomando coragem. É o melhor jeito que ela encontra pra conseguir pensar quando suas idéias se confundem. Não se mexe de tão imersa que se encontra em seus próprios pensamentos. Na verdade eles estão muito, muito longa e na  carta que acabara de receber. Ou mais ainda, na pessoa a quem aquelas palavras pertenciam. Não era possível, depois de tanto tempo. Agora que já não esperava mais por ele nem mais se perguntava por onde ele andava, seu endereço, se estava bem. Pensa que foi até melhor não ter recebido notícias nenhuma. Acha engraçado e sorri ao ver o esforço que ele fizera em lhe escrever uma carta tão bonita quanto aquela. Logo ele! Até tentar caprichar na letra ele tentou, olha. Tão diferente da carta de despedida que havia encontrado quando ele se foi. Ele que costumava dizer que não era bom com as palavras, pois bem, olha só que grande mudança. Era a coisa mais linda que ela já havia lido. Nada de rodeios, nada de palavras raras que servissem como algum consolo. Nada de desculpas.  Como ele. As lágrimas misturavam-se com gotas. Dias de sol, de chuva, filme, risadas, vazio, solidão.  E em meio aos flashes que lhe vinham à memória e a tantas frases desconjuntas, uma apenas o redimia por todas as noites que ela pensou nele sem conseguir dormir. As duas últimas linhas. Definitivas: “eu te quero sempre, todos os dias.  Eu penso em você, mais do que eu poderia imaginar ou querer. Eu te amo. Eu te prometi uma vez que isso não ia mudar. Nunca.”. Ela já sabe. Quando desligar o chuveiro irá pegar um papel pequeno e uma caneta. Num bilhete mal escrito irá colocar umas poucas palavras. “Volta. Eu sempre te esperei.”.  )

maria cláudia .

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

é só mais um desses dramas .

(   Pensa ela ao enxugar uma lágrima furtiva numa dessas costumeiras noites chuvosas de janeiro. Segurando seu travesseiro como se ele fosse envolvê-la num abraço apertado. No chão, restos de pipoca e chocolate quente. Aperto. No peito.  Ela não entende porque insiste em colocar romances para rodar nesses dias. Mas coloca. Ele ainda faz falta.   )

 

maria cláudia  .

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

oi .

(   Tudo bem? Desculpe ligar a essa hora. É que eu precisava te ouvir um pouco. Mesmo. Como assim quem é? Eu sei que você sabe que sou eu. Você só não quer admitir que ainda reconhece minha voz. Na verdade, eu me controlei ao máximo para nunca mais pegar esse telefone e me esforcei para esquecer seu número, ao menos. Só que tem coisas que, por mais que eu adie, precisam ser ditas. Então, não me atrapalha, por favor. Deixa pra falar só depois que eu tiver terminado. Você sabe como eu tenho dificuldades em falar essas coisas. É, eu sei que gaguejo quando estou sob pressão. E eu tenho certeza de que você ainda se importa. Como? Se não se importasse não estaria com essa paciência toda, a essa hora da madrugada, ouvindo minhas bobagens. Não, não dá risada, não! Não parou ainda com essa mania de dar risada de coisa séria? Eu aqui, toda apreensiva, achando a melhor forma de falar e você aí. Rindo. Não me atrapalha, não vem falar que eu fico bonitinha quando pareço brava. Você tá fazendo isso pra eu perder o que ia falar e ficar mole, né? Como eu sei? Conheço sua técnica. Você sempre soube que eu fico meio boba quando você começa com essas coisas. Você faz isso de propósito? Não fala nada, eu sei que faz. Por que tá tão quietinho? É verdade, eu que pedi. Isso mesmo. Mas quer saber? Agora já nem sei mais o que eu ia falar. Esqueci o discurso que acabei de decorar antes de te ligar. Lógico que a culpa é sua! Só que no fim eu sei que você não gosta de mim, só que eu começo a achar que gosto mesmo de você. Não me pede pra explicar, tem coisas que eu sei e pronto. Viu!? E você não gosta mesmo, porque nem tentou discutir comigo dessa vez.  Você lembra como a gente costumava ter discussões de brincadeira? É, eu sinto mesmo saudade daquele tempo. Vou parar de enrolar. Eu só liguei pra dizer que to sentindo a sua falta. Eu sempre sinto saudades demais, eu sei. Ve se volta pra me ver um pouco, tá? Aham, vou ficar aqui. É. Mesmo endereço, não mudei nada. E olha, eu não tava brincando, eu gosto de você. Tá, tudo bem que agora era a sua hora de falar. Tudo bem, eu finjo que acredito. Aham, era só isso sim. Se cuida, viu? Olha. Boa noite (meu menino)! )

maria cláudia .

domingo, 30 de dezembro de 2007

Miguel .

(   Talvez por ser hoje o último dia do nosso ano, eu resolvi te escrever. A coragem me falta para ir te ao teu encontro. Só que, dessa vez, não vou jogar essas palavras na gaveta a qual costumo guardar as coisas que nos pertenciam. Ela está cheia demais com tantas outras cartas que escrevi contando o que se passava comigo nesse tempo todo. Não tinha certeza se você estava interessado em saber. Mas só o fato de te escrever já me tranqüiliza um pouco. Quem sabe você ainda seja o motivo pelo qual ainda elaboro textos. Tenho esperanças que de um jeito ou de outro eles cheguem até você. Na verdade, só quero saber se está tudo bem. Se anda tendo juízo do jeito que eu te aconselhava nas ocasiões em que você saía sozinho. Você sabe, eu sempre me preocupei demais. Ah, me pergunto se você já parou com essa mania boba de não se cuidar, de não tomar remédio e só escutar o que te agrada. Acho que isso tudo de mim ficou em você, das tantas vezes que falei repetidamente. Imagino que hoje você sempre pegue um casaco antes de sair, porque eu dizia que e o tempo ia mudar e realmente mudava. Eu acho que de mim você só deve saber que já não me apego tanto a desconhecidos. Desconhecido, lembra? Era como você se referia a si mesmo. Você tinha razão, naquela época nós éramos mesmo desconhecidos um para o outro. Ah, agora o telefone não é mais o meu meio de comunicação para as madrugadas em que eu sentia falta de alguma companhia. Naquele tempo só o seu número me vinha à cabeça. Sempre. Olha, desde aquele dia que você disse que não voltaria, eu durmo acreditando ser mais uma de suas brincadeiras. Por noites eu esperei você me acordar me dizendo que era só pra me assustar. Esperei aquele sorriso de criança que aprontou alguma travessura. Sabe, espero que nesse novo ano você perca um pouco o orgulho, porque ele te faz perder pessoas que te querem bem. Eu já te disse isso uma vez, mas você costumava não me ouvir. Não recuse mais abraços também, não da mesma maneira que recusava os meus. Eles costumam fazer bem, mesmo pra quem diz que não precisa de um. Aliás, não viva só de raiva, não guarde tanto rancor. Pra que isso? O tempo passa, as pessoas erram, Miguel. Aprenda a perdoar. Aprenda a viver mais leve, sereno. Confie mais. E, por favor, olhe mais para o céu. Pare de pensar em problemas um minuto. Pare de pensar só em você. Porque, apesar de tudo, dos dias que me senti culpada, das tantas vezes que você não me atendia, da porta aberta. Apesar de não querer eu ainda te espero. Eu ainda te quero. Ame mais a vida. Ame mais a si mesmo. E me ame, Miguel. Porque eu te amo. Muito. Você sabe onde me encontrar. Quem sabe o ano ainda não terminou para nós.   )

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

primavera .

Amanheceu. Uma manhã chuvosa e um tanto fria demais para o começo de dezembro. Era primavera, sua estacão preferida. Vai até a porta que dá para o jardim e observa a chuva cair preguiçosamente sobre as flores. Vê os pássaros brincando nas pequenas poças formadas. Dias assim, com nuvens pesadas e céu com cor de solidão sempre a aborreciam um pouco. De repente sai do seu meio devaneio quando seu nariz começa a ficar gelado como o vento. Fecha a porta. Sai em busca de um cobertor qualquer onde possa se enrolar e assim ficar por toda a tarde. Se fosse há um tempo atrás, talvez na outra estação, ela colocaria uma música para tocar, faria um chocolate quente para eles, enquanto ele a observava e ria ao ver o modo como ela se atrapalhava na cozinha. Mas agora ela já não sabe o que fazer, por isso passa tão longe do toca-disco e do bule, afinal. Quem sabe hoje apenas fique rodando por todos os canais, sentada em frente à TV e pare quando achar algum bom romance. Nas mãos, uma xícara de chá. Era o primeiro dia acizentado desde que ele partira e ela torcera tanto para que não fizesse mais dias nublados na sua primavera.  )

maria cláudia .

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

mudanças .

(   Já houve dias em que tudo o que cabia dentro de mim era segurança. Só eu sei como você era meu porto seguro. Sua voz me acalmava. Seu olhar retirava todo o sentimento ruim. Seu sorriso era doce. E eu tinha certeza. Só certezas. Se me perguntassem algo sobre você, eu saberia. Mas as coisas costumam mudar e realmente mudaram. Já não sou mais tão segura e minhas certezas já não são tão certas assim quando o assunto é nós dois.   )