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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

carta ao telefone .

( Eu não sei ao certo o que está se passando na sua cabeça agora. Bom, também preferia não querer saber. Você conhece esse meu pessimismo, essa minha paranóia que só te afasta, que só te faz não saber mais de nada. Que só aumenta o meu medo. É, sempre a mesma história. A mesma história irritante. Eu sempre tão emotiva, tão de momento e você sempre tão racional. Sabe, eu te admiro muito, esse seu jeito de manter as coisas sob controle. Bem que às vezes eu poderia ser assim, né? Eu sei que canso, que enjôo, que você não está gostando. Eu sei que você deve estar com aquela vontade de desligar o telefone na minha cara se eu não parar de falar bobagens. Essas bobagens que me fazem lembrar de você a todo instante, que me faz ouvir seu riso. Faz esse coração bater tão rápido que parece querer sair. Grudento demais. Eu só quero ser o melhor pra você e fazer de mim um pedacinho seu enquanto te tenho. Deixar tudo de mim para que você se lembre, nem que for daquela sua “namorada paranóica e pegajosa”. Eu te acho lindo, lindo rindo e sério. Lindo de cabelo bagunçado e me deixando com vergonha. Não importa mais o tempo. Mesmo que um dia eu não te tenha mais por inteiro, sempre vou ter o suficiente. Que tá guardado aqui dentro, olha. E quando lembro disso, nada mais importa. Eu sei que é pra sempre. Te amo muito.   )

 

maria cláudia .

terça-feira, 23 de setembro de 2008

fica .

( Uma coisa que eu penso quando fecho os olhos? Ah, a minha cabeça, sabe, encostada no seu peito e o nosso silêncio. Acho que a gente tinha muito mais do que palavras. Na verdade, eu só queria estar ali.  Você me tem por inteira e eu tenho certeza que, ao menos naquele momento, você não tinha a menor dúvida. Com você eu me sinto completa. Sim, eu sei que sempre falo isso. Mas é estranho ter que admitir. Logo eu, que sempre acreditei que ninguém tinha o poder de completar ninguém. Creio que com você seja diferente. Poxa, tudo com você é diferente. Quem sabe seja pelo fato de me apaixonar por você a cada gesto, a cada coisa que você fala e sempre, sempre me derrete. E se você  me agora o que eu quero pro meu futuro? Eu só vou dizer? vem, deita aqui do meu lado e, por favor, fica. Se possível, pra sempre.  )

 

maria cláudia   .

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

(   Tudo o que a gente nunca fez juntos. Dois anos e meia e a gente nunca assistiu um filme assim, abraçadinho. Mas tem que ser aqueles romances baratos, que tem a minha cara, pra quando meus olhos encherem de lágrimas eu poder lembrar, pelo menos uma vez, que você está do meu lado. Ah, e também tem aquela de ficar num lugar incomum, não mais no nosso lugar. Numa construção, talvez? Dentro de um ônibus? Ou quem sabe ali, naquela escadinha que tem perto da linha de trem, naquele lugar das flores miúdas? Eu acho bonito lá, sabe. Tem todas aquele mistério e o céu. O céu lá é lindo. Incrível mesmo. Eu tava aqui pensando com um sorriso bobo. Você ainda se lembra daquele dia que você insistiu pra ir embora porque ia chover e eu te enrolei só pra gente ficar andando na chuva? Tava frio, mas não tinha problema. A gente achava qualquer cantinha pra se esconder, usando uma desculpa pra poder conversar mais um pouco. Você me encanta. Você me encanta de tal maneira que me faz perder todo o medo. E eu nunca imaginei que pudesse ser assim. Eu te amo.   )

domingo, 21 de setembro de 2008

sobre o tempo .

(   Eu só sei falar de tempo. De tempo e distância. E é inevitável o fato dos meu olhos se encheram de lágrimas. Quase como uma obsessão por olhar o calendário e desejar com todas as forças que os dias se desdobrem, se multipliquem. Dizem que o tempo cura tudo. Tremendo equívoco achar que mágoas vão ser lavadas, que corações vão ser reconstruídos em questão de horas, dias, anos…O que ele é capaz de fazer com tremenda habilidade são somente separações. E o que o tempo separa é difícil aos homens, meros mortais, juntar novamente. Talvez por preguiça, por medo do que já estava escondido no passado, guardado no seu devido lugar. Assim, perdemos amigos, oportunidades. Perdemos amores (‘por que ele se foi?’ - ‘ah, foi questão do tempo’). Pois é, nada mais triste.   )

sábado, 20 de setembro de 2008

vai indo, má .

(  “Vai indo que eu fico te olhando até você entrar. A cidade anda perigosa, você sabe.”. E eu fui. Dei um beijo de despedida e fui.  Mas ao fechar o portão não pude evitar de olhar para trás. Você ainda estava lá, virando-se, para então ir embora. Sorriso.  )

 

maria cláudia   .

quinta-feira, 31 de julho de 2008

onde ela anda agora? .

(   Palavras mudas em voz de veludo e tudo mudo. Adeus velho mundo.”

Porque você era tudo, menos meu amigo. Logo você, que já foi muito pra mim. Agora suas explicações injustificáveis sobre algo que foi dito no auge de mais uma das nossas discussões. Ah, se fosse a primeira vez! Tudo, tudo teria perdão. Mas não, é sempre a velha e pertinente história que nunca muda. Eu é que sou cabeça dura demais e não desisto na primeira queda. Acho que nem na segunda, terceira… Acho que deixei (deixamos) que qualquer gesto, qualquer palavra destruísse o que havia de mais bonito, mais admirável entre nós. Tínhamos prometido que restaria amizade. Sempre. Onde ela anda agora? Acho que quebramos nossa promessa. Sem querer. E, por favor, não me venha com pedidos de mil desculpas. É mais fácil. Não que eu diga que a culpa seja de alguém. Houve apenas inconseqüência em excesso e teimosia demais para admitir que estávamos no caminho errado.  )

dois ou três dias .

(   Cama. Olhos fixos no teto.  As horas bem que podiam passar, sair do agora o mais depressa possível. O aperto no peito tem ficado mais intenso nesses últimos dois ou três dias. Tudo que eu preciso é fechar os olhos e esquecer apenas.  Mudar os dias. As palavras ditas. Abrir os olhos novamente e ver que tudo não passou de um grande mal entendido. Mas as coisas nunca são tão fáceis, ainda mais  para pessoas que oscilam nos extremos. Como eu.  E você. Perdi o controle e deixei a situação ir longe demais. Irreversível. Sabemos que na mesma proporção com que não conseguimos nos distanciar somos capazes de magoar um ao outro. Você sempre teve o poder de me tirar do sério, essa é a verdade. Só que dessa vez… dessa vez fomos longe demais.    )

maria cláudia .